” A lenda das Amendoeiras do ALGARVE “

 
 
   Há muitos séculos, antes de Portugal existir e quando o Al-Gharb ainda pertencia aos árabes, reinava em Chelb, a futura Silves, o famoso e jovem Ibn-Almundim que nunca tinha conhecido uma derrota.
   Certo dia, entre os prisioneiros de uma grande batalha ,viu uma linda jovem de olhos azuis e porte altivo. Chamava-se Gilda e era conhecida como a Bela Princesa do Norte. Impressionado com tamanha beleza, o Rei Mouro deu-lhe a liberdade e conquistou-lhe a confiança. Certo dia, confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe para ser sua mulher.
  Durante algum tempo foram muito felizes, mas a Princesa foi ficando cada dia mais doente e cada dia mais triste…
  Um velho cativo das terras do norte, pediu então para ser recebido pelo Rei e revelou-lhe que a Princesa sofria de nostalgia da neve do seu país distante. Então, os conselheiros, sugeriram ao rei que mandasse plantar amendoeiras por todo o reino. Muitas amendoeiras que, quando florissem dariam à Princesa a ilusão das neves da sua terra.
   O Rei assim fez e, no Inverno seguinte levou Gilda ao terraço mais alto do castelo.
  _Ah!… exclamou ela.
  Lágrimas de alegria surgiram nos seus lindos olhos azuis.Ficou radiante, sentiu-se revigorar, sentiu que as suas forças regressavam ao presenciar aquela visão indiscritível do branco que se estendia a perder de vista…
   O Rei Mouro e a Princesa viveram longos anos de um amor intenso esperando ansiosos a chegada do mês de Fevereiro…
  O mês de Fevereiro trazia sempre, ano após ano, o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor!
 
 
  "" Chelb é uma cidade bela.Está situada numa colina.Tem um castelo e muralhas fortes. Possui belos palácios e mercados ricos.É habitada por Árabes…que sabem improvisar versos…""  ( Al-Idrisi )
 
   Esta simples  descrição de Al-Idrisi, escrita no séc.X poderia ser a descrição da actual Silves  não fosse D.Sancho I tê-la reconquistado aos Mouros no Séc.XII…
 
 
    Tempo da lenda das Amendoeiras
         De: Ary dos santos
 
              A Princesa
    Ai portas do meu silêncio,
    Ai vidros da minha voz,
    Ai cristais da minha ausência
  da terra dos meus avós.
    Desataram-se em soluços
  os seus cabelos desfeitos…
 
         O Rei Mouro
    Dizei-me magos, oragos,
  anões, duendes, profetas,
  adivinhos e jograis,
  sagas, videntes,poetas…
    Como hei-de secar o pranto,
  daqueles olhos de rio?
    Como hei-de secar os ais,
  daquela boca de estio?
    Como hei-de quebrar o encanto
  que numa tarde de pedra
  talhada pela tristeza
  selou com dados de chumbo
  o sorriso da princasa,
  que suspira pela neve
  da ponta do fim do mundo?
 

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