Deixá-lo ficar ou não?

 
  Como tenho assiduos leitores de "coisas da minha lavra", deixo mais este episódio:
 
 
 Em Outubro, na feira de Santa Iria em Faro, há sempre um dia dedicado às crianças das escolas da cidade. Os miúdos podem andar à vontade porque o espaço é só para eles. Mal chegámos foram direitinhos para o carrocel…20 crianças saltando e rindo apoderam-se da bicharada do carrocel. No mesmo instante ouço uma voz grossa, pelo altifalante, alto e bom som.
_ Não está a ver que esta volta é so para deficientes???
Estarrecida com a falta de sensibilidade e educação do responsável do carrocel, olhei e vi de facto crianças c/ trissomia 21, paralisia cerebral, invisuais e outras deficiências, acompanhadas pelas suas monitoras que nem se mexeram do sitio, mas abanavam a cabeça…
_ Meninos, vamos sair!  Ordenei eu aos meus alunos…
Alguém se abeira e me diz:
_Professora eu fico. Eu sou deficiente!!!
_Tu não ficas nada, não tenho nenhum aluno deficiente. Põe os olhos nos outros meninos e olha para ti. És deficiente?
_Não professora!…
_Ok. Então vamos todos para outro divertimento que assim é que é bonito. Todos juntos porque a UNIÃO FAZ A FORÇA!…
 
 Ele era de facto portador de deficiência/ paralisia cerebral – embora eu nem o visse como tal. Intelectualmente era uma criança igual às outras, as suas dificuldades situam-se ao nivel da fala e ao nivel motor… Só que eu tive dificuldade em lidar com a situação e continuava zangada com o homem. O miudo nunca teria querido ser considerado deficiente e estava a aproveitar-se ali duma situação para ficar no carrocel…
Deixá-lo ficar ou não?
Decidi-me pelo não…
Ele ía ter oportunidade de voltar ali e divertir-se com todos os colegas e foi o que aconteceu!… 
 
 

 

7 thoughts on “Deixá-lo ficar ou não?

  1.  
        Boa noite Mari,
     
         Fizeste Mal!… Deficientes, somos todos Nós!…Uns mais do que outros;
         Porém,todos nós portamos uma qualquer Deficiência!?… Só que, muitas
         Das Vezes esta não é Visível e quem a Tem… Julga, estar, isento de tal
         Facto! Existem,muitas Espécies de Deficiência: Soberba, para quem pensa
         Que o Mundo lhes pertence; Hipócrisia,para quem diz uma coisa só para
         Agradar à Plateia e, depois, age de uma forma completamente dissonante
         Com o que Apregoam; Deseducado, como o Energúmeno do divertimento
         Que, nem sequer alcança de que: O São convívio entre Crianças, sejam
         Deficientes ou não…É, sempre Salutar e Enriquecedor tanto para os que
        "São"…Como, para os que o não são! Tenho a Certeza, de que, esse sujeito
         Era muito mais Deficiente… Do que, Aqueles, que sua Incongruência estava
         A Ostracisar! Está provado, Científicamente,que: O Convívio,das crianças
        "Diferentes" com a Generalidade das outras é: Extremamente Benéfico para
         Ambas as Partes!
     
         Muitos, não Alcançam porque não chegam lá…Outros, chegam lá…Mas,não Alcançam!  
     
                            Abraço-te, Minha Amiga!
     
                                    Apolinário
     
             P. S.= Continua, com a tua Lavra!                         
     

  2. Gostei desse post e acho que sua atitude foi correta. Porque diferenciar uma criança, principalmente em um local assim? Vc sabia que eles retornariam para o brinquedo.
    Voce permitiu que ele se sentisse verdadeiramente iqual aos seus coleguinhas e que a deficiência dele não faz  diferença . Assim ele jamais , como criança, terá complexo de inferioridade, porque não o é. Parabéns pela atitude.
    Querida, obrigada pela sua visita no meu cantinho e quero desejar-lhe uma ótima semana, cheinha de luz. Muita luz. Bjs no coração.
     

  3. Olá Princesa.
    Pois eu acho que tiveste a atitude correcta.
    Os "nossos meninos" são os nossos meninos!
    De tanto amor que lhes temos, nem sequer  "notamos" qualquer dificiência.!
    Ou então, seremos nós os dificientes…..
    Beijinhos minha amiga.
    Flor
     

  4.  
         Boa tarde Mari,
     
        Só para me tirar umas dúvidas: 1ª= Mari, porque é que não insististe
        Com o Energúmeno do "carrossel"- dizendo-lhe: Não há voltas para
        Deficientes…Há Sim Voltas para crianças! – todas elas eram crianças
       "Diferentes" ou ? Não!? 2ª= Mari, porque é que em vez de mandares
        Retirar a criança que prontamente quis conviver com seus Homónimos…
        Não fizeste com que todas as crianças se juntassem e convivessem em
        Franca Harmonia sem te ralares com o que pudessem pensar – se porventura
        Essas pessoas pensam?…- Sendo que, como já frisei anteriormente: O
        Convívio, entre crianças ditas "normais" e as crianças "diferentes" é de
        Sobremaneira Aconselhável; Quiçá, desejável, na perspectiva de que a
        Educação para este Género de "problema" começa na idade dos Porquês!
        Não leves a Mal pela minha ignorância…Não compreendi o afastamento
        De umas crianças das "outras"!
     
                                 Abraço-te, minha Amiga!
     
                                      Apolinário

  5. É muito interessante o que você trouxe para nós, sobre estas crianças; achei muito bom o raciocínio de cada um dos comentaristas; muitas coisas importantes já foram postadas aqui; isso gera normalmente muita indignação no momento em que acontece; acredito que você desejou de fato acolher e poupar aquela criança dessa dor tão grande que é o da discriminação; soa péssimamente, mesmo que ao menos se brade aos quatro ventos sobre aslimitações de uma pessoa, especialmente aquelas que impedem de se sentiram normais. No entando, conhecendo o trabalho de atendimento psicológico a deficientes físicos e até mesmo de conhecimento público, como nossos paratletas; els superam-se partindo da consciencia plena de uma deficiência, justamente o que nutre neles a superação de suas dificuldades; acredito que isto pode se aplicar a outros seres humanos não atletas. Na verdade, quando ouço a troca da palavra deficiente para portadores de necessidades especiais; isso parece mais confortável dizer, não para eles mas para os "normais". Isso daria muita discussão filosófica; mas este é o nosso mundo; com tantas fragilidades que afetam os chamados normais; e o que dizer daquele que já soube o que é correr atrás de uma bola,  pedalar, e de repente, o pesadelo: uma nova página da vida se abre para esta; alguns superam sua necessidade com tanto empenho que até me coro de vergonha com minha "normalidade". Um grande abraço do teu amigo.

  6. Sabes Apolinario, analisar a frio é uma coisa mas ali no momento, a quente é outra coisa!
    Ele nunca quis ser uma criança diferente, nunca! Tu sabes que as crianças são muito lindas, mas muitas vezes são mázinhas e dizem uns aos outros coisas  que magoam muito… Muitas vezes ele se queixou disto e daquilo…Passei muito tempo para o trazer " para cima…". Ali naquele momento, se eu o deixasse ficar, então?!…E, porque haveria de ficar ali sozinho, se os outros 19 não podiam ficar? Não Apolinário, não poderia deixá-lo ficar. É isso que penso ainda hoje. Passada meia hora estavam ali todos, de novo, mas agora a rir e a divertir-se em uníssono.TODOS – são a turma inteira e não 19 ou 1…
    O lema da nossa turma era este: Todos juntos, SEMPRE, porque a união faz a força!
    De qualquer modo, obrigado pelo comentário. Muito raramente tu estás de acordo, mas quando estás eu fico feliz por te ter aqui no meu espaço e, quando não estás tambem fico, acredita! Bjo
     
    Para o Carlos:
    Opinião de profissional que muito respeito. Este miudo tambem tinha consciência das suas diferenças, tanto mais que ali quis mesmo ser diferente…Faço sempre o que acho melhor no momento, embora saiba que posso não fazer bem. Ali, estavamos juntos e juntos continuámos.Foi um episódio que caíu logo no esquecimento de todos, à vista das inumeras diversões ao seu dispôr… Bjo
     
    A Leila e a Flor…São mães, agiriam com o coração, pelos comentários que deixaram!!!
    Se calhar foi isso, tambem agi com o coração! Sou 2x mãe e 2x avó…Beijinhos a todos e bom FimdeSem.
     

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