COISAS DA MINHA LAVRA… / continuação

 
 
 
  … Pela lei ,a Mariya Luiza , teria que continuar na  turma  onde estava inserida até ao final do ano lectivo, ainda que cumprindo um programa do 2º ano…Pela lógica, deveria integrar uma turma. de alunos do 2º ano… Na Escola, temos autonomia para decidir e, consoante a opinião dos pais ela ficaria ou mudaria de turma.
Aconteceu que não conseguimos demovê-la. Nem eu, nem os pais.
Ela argumentava:
 
_Professora, eu ainda não sei bem isto e aquilo… eu quero ficar aqui para aprender melhor.
Na outra turma, ninguem vai gostar de mim… dizia, entre soluços.
 
Os pais, depois de muito termos conversado, têm a última palavra:
_Professora, já foi tão dificil deixar Kiev, por favor, deixe-a ficar na sua sala.!
 
E foi assim…ficou connosco, embora eu a fosse preparando para a mudança do final do ano e ela aceitasse já essa decisão distante, para o bem dela, dizia-lhe eu.
Há sempre vários níveis de aprendizagem numa turma e, assim, individualmente fui trabalhando com ela adquirindo as competências do 2º ano, sem dificuldades.
Certa vez, estava a  fazer um exercício de Estudo do Meio sobre a Familia onde deveria colocar as profissões dos pais. Pé ante pé, traz o livro e vem ter comigo ao fim da sala e sussurra-me ao ouvido:
 
_Professora, posso pôr " lá da Ucrânia"?… eu leio e digo-lhe que sim, que lá da Ucrânia é que conta, que aqui em Portugal tudo é temporário…
 
E ela , radiante, vai para o seu lugar e completa:
Profissão do Pai – Engenheiro mecânico
Profissão da mãe – Professora de História de Arte.
 
No final do ano, transita ao 3º ano e vai depois integrar a turma da professora Ângela e aí permaneceu sem problemas até ao final do 4º ano. Depois transita ao 5º, e muda de escola. Faz ainda o 6º em Portugal.
Neste momento frequenta o 8 º ano em Portugal e na Ucrânia… O pai continua cá e a mãe decidiu regressar porque tem um filho de 18 anos que permaneceu com os avós e que ela quer acompanhar mais de perto. Passa 6 meses cá e 6 meses lá… A Mariya Luiza está em Portugal de inícios de Outubro a  finais de Fevereiro. Compra os livros, vai às aulas e estuda afincadamente. É aluna de 5… Em Fevereiro leva a sua transferência e vai para Kiev…onde estuda afincadamente…  para apanhar os outros. Em Outubro vem transferida…
 
Pode-se pensar que estão a  exigir demais da miúda. Eu não acho. Eu penso que, se ela quer aprender e consegue dar conta do recado, deve fazer assim. Ela adora este aprender lá e cá…Depois do 9º ano, vai permanecer cá ou lá. Nessa altura , os pais decidem…Mas ela é assim… uma  miúda espectacular, uma sumidade!!!
 
 

3 thoughts on “COISAS DA MINHA LAVRA… / continuação

  1. Boa noite Mari, De facto Mari, as crianças têm um sexto sentido extremamente apurado E, possuem algo que as protege – embora inconscientemente – dos perigos Susceptíveis de lhes poder acontecer…São medrosas face ao desconhecido; Preferem partilhar daquilo que conhecem e lhes dá um sentimento de segurança. No que se refere à Mariya Luiza, acho que, só lhe poderá trazer largos benefícios O facto de fazer seus estudos com duas Culturas completamente diferentes – uma Eslava Outra Europeia – se porventura, for esse o seu desejo e sinta prazer nessa situação! Gosto da forma como encaras a problemática do ensino! É, em ti recorrente. Abraço-te, minha Amiga! Desejo-te que o ano de 2009 Te traga tudo aquilo que desejares! EXCELENTE ANO DE 2009! Apolinário

  2. Olá professora Maria Odília!! É muito interessante o que tu relatas da tua experiência; aliás você tem comprovado o grande desafio que você abraçou ao longo de sua carreira e hoje muitos outros profissionais Oxalá consigam obter a sensibilidade com a qual você vivenciou a exemplo, deste precioso relato. Como observar o comportamento da criança também é minha “praia”, chega ser reanimador ler sobre casos assim, pois na verdade, concordando em muito com o Apolinário; acrescento que em muitos casos, com receio de se partir para o inusitado, o profissional se envolve em demasia até mesmo nas questões pedagógicas, não mencionando todo um conjunto de “precauções e “superstições” até mesmo sobre o ato de educar; bom é quando um profissional da educação assume uma posição afetiva mas firme, com olhos adiante, compreendendo o potencial daquele aluno que está diante dele e não apenas um quadro presente. Acredito que este voto de confiança à Ângela, foi algo para ela expressivamente terapêutico; normalmente quando se acredita na capacidade de uma criança, não raro ela dá demonstrações de bons resultados, pois como você mesma disse aqui, ela tinha condições de lidar com as duas culturas. Um grande abraço e saudades!!

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