Tributo a ZECA AFONSO

Quando a música portuguesa perdeu a inocência… 

     

 Último concerto em 29 de janeiro de 1983…
 
Zeca Afonso foi um notável compositor de música de intervenção, durante um dos mais conturbados períodos da história portuguesa.
Como compositor, soube conciliar de forma notável a música popular e os temas tradicionais com a palavra de protesto.
José Afonso, Zeca, para toda a gente, continua a ser um dos nomes maiores da música portuguesa.

Dono de uma voz admirável, foi simultaneamente um militante da utopia. Conhecido como cantor de intervenção, Zeca Afonso soube criar temas que aliavam a tradição musical portuguesa ao combate político. Foi um cidadão comprometido com a política e a sociedade. A canção “Grândola Vila Morena” transformou-se no hino do 25 de Abril.
Zeca Afonso foi um cantor – e um militante – da utopia. A sua vida atraiu-o cada vez mais vigorosamente rumo à irreverência.

Zeca nunca se arrependeu de nada. Como o próprio disse, “acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica”.

E o que é que ficou da sua vida? Uma obra imensa composta por canções que acabaram por transformar-se em hinos.  
Cantava com tal intensidade que dava a impressão de que só para a música havia nascido.

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu em 2 de Agosto de 1929 em Aveiro. O seu pai, José Nepomuceno Afonso, era juiz, e a sua mãe, Maria das Dores, professora primária. Em 1930 os pais foram para Angola. Por razões de saúde o recém-nascido José Afonso permaneceu em Aveiro, em casa de uns tios. Por insistência da mãe, viajou para Angola em 1933. A imensidão e beleza de África deslumbraram-no. Criou uma ligação afectiva que iria acompanhá-lo ao longo da vida. Os anos de 1936 a 1938 foram passados a viajar entre Portugal e as colónias. Em 1938 regressou a Portugal para completar os estudos. Foi viver para casa de um tio em Belmonte.

Chegado o ano de 1940, partiu para Coimbra e matriculou-se no Liceu D. João III. Zeca Afonso estava no quinto ano do liceu quando abraçou convictamente a vida boémia e passou a cantar de forma assídua. Passado algum tempo, a sua voz já ecoava pela cidade velha. Em 1948, após dois chumbos, completou o liceu e abraçou por completo a vida de farra universitária. Jogou futebol pela Académica e fez parte tanto do Orfeão Académico como da Tuna Académica da Universidade de Coimbra. Neste ano, apaixonou-se por Maria Amália de Oliveira, uma costureira de origem humilde. Casaram em segredo devido à oposição dos pais. Zeca entrou no curso de Ciências Histórico-Filosóficas, da Faculdade de Letras, em 1949.

Em Janeiro de 1953, nasceu o primeiro de quatro filhos. Zeca dava explicações e fazia revisão no “Diário de Coimbra”. Nesse ano saíram os seus primeiros discos. Dois de 78 rotações com fados de Coimbra, dos quais hoje não existem exemplares.

Findo o serviço militar, em 1955, Zeca Afonso deu aulas nalguns colégios. Foi um período de grandes dificuldades económicas. Já tinha dois filhos e o casamento começou a ceder. A situação financeira piorou, e em 1958, num acto de desespero, Zeca Afonso enviou os filhos para junto dos avós, em Moçambique. Mas, apesar das dificuldades, não baixou os braços. Tinha o orgulho atrevido de não se deixar abater por qualquer género de dificuldades.

O ano de 1956 foi marcado pela candidatura de Humberto Delgado, nas eleições presidenciais. Zeca Afonso acompanhou de perto a campanha eleitoral. Pouco depois, após o balde de água fria que foi a derrota de Delgado, escreveu “Os Vampiros”, um dos temas fundamentais da sua carreira. Quem não achou graça às canções políticas foi a mãe, que sempre pensou que ele não se deveria meter nessas coisas.

Mas Zeca não parou de se meter. Em 1962, participou activamente na crise académica. Parte para Faro em busca de uma largueza de horizontes que não conseguia encontrar em Coimbra. Aqui, conheceu Zélia, com quem viria a casar-se.

 
A morte calou-o, mas permanece vivo nas memórias de quem teve o privilégio de o ouvir cantar!
Este concerto é especialmente emocional pelo facto de se notar claramente que é um Adeus final de Zeca Afonso. Faz-me imensa confusão vê-lo já tão afectado e debilitado pela doença que viria a roubar-lhe a vida, mais tarde…
 

 

 
E já agora, que uma coisa fez-me lembrar outra, aqui deixo esta imagem mil vezes vista na parede do meu quarto de adolescente. 
 
 
Imagem longínqua, distante em todos os sentidos… estarei nostálgica???

5 thoughts on “Tributo a ZECA AFONSO

  1. José Afonso (zeca), poeta, músico, cantor um dos mais proeminentes intelectuais do nosso tempo, assim a História lhe faça justiça. Um arrepio me percorreu o corpo quando vi e ouvi este video com que nos presenteias .

  2. OBRIGADA PELA MARAVILHOSA MUSICA DO SEMPRE SAUDOSO E IMORTAL ZECA AFONSO!!!BOM INICIO DE SEMANABOM DIASEJA FELIZ HOJEE SEMPREBEIJO COM CARINHODA SEMPRE AMIGA ANGE…. "EXTRATOS"Apetece-me ir buscar-te,E resgatar-te para a tua terraOnde o sol brilha Quase todo o ano,A terra onde o mar é mais azul,Mas fico à espera que bons ventosDe mudança te tragam um dia.E da minha janela encantada,Onde os dias se colam uns aos outrosComo num sonho azul,Lanço-te as minhas tranças, esperandoQue um dia passes por perto, montandoNum cavalo branco vestido de principeE me leves agarrada nos teus braçosPelas nuvens voando…

  3. bom dia Mari,tive a sorte ainda que na altura não o soubesse, dada a minha tenra idade, de andar na escola com duas das filhas dele, em Azeitão, a Salomé e a Benedita. Mas nessa altura ele já estava muito doente e eu não fazia ideia do significado das palavras dele.Obrigada.Sempre recordo aqui contigo coisas tão bonitas.Uma boa semanaobrigada pela visita minha queridabeijocas doces

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